sábado, 16 de novembro de 2013

Um presente para a UNEB: acervo da antiga SEDICA é doado à universidade

Materiais da Biblioteca Dom José Rodrigues de Souza chegam à Universidade, para manter vivo legado do bispo emérito


Giomara Damasceno*
Maria Yamakawa

Acervo da biblioteca Dom José Rodrigues de Souza ajuda a
relembrar a história do povo juazeirense
                                 
Um dos legados deixados pelo ex-bispo de Juazeiro, Dom José Rodrigues foi a biblioteca da Diocese, que teve seus títulos recém doados para a Universidade do Estado da Bahia (UNEB). O acervo fazia parte do antigo Setor Diocesano da Comunicação Audiovisual (SEDICA) e conta com mais de 30 mil títulos entre livros e revistas.  Além de fotografias, jornais impresso e duas mil fitas, as quais poderiam ser utilizadas como material didático pelos professores em sala de aula.

Para transferir os arquivos do prédio da Diocese para a biblioteca Professor Rômulo Galvão, a UNEB criou uma comissão formada por discentes da universidade. Esta tem funções de “coordenar os trabalhos de transferência do acervo da Biblioteca Dom José Rodrigues de Souza.

Esses trabalhos envolvem: reorganização do espaço físico e do acervo, definição da forma de funcionamento, mobilização de professores e alunos para a utilização dos materiais” como explica um dos integrantes da comissão, o Professor Mestre Francisco de Assis Silva.


Com a mudança para a UNEB, a comunidade juazeirense que frequentava o acervo no antigo prédio, ganha um novo espaço, mas ainda sem data para visitação ao público. Isso porque há dificuldade em catalogar o acervo, já que há pouco recurso humano para realizar os trabalhos, como afirma Gerluce Lustosa, coordenadora da biblioteca da universidade.

A história da cidade preservada

Acervo contém livros, revistas, fitas cassetes 
A estudante de Comunicação Social, Adailma Gomes tem grande interesse pelo acervo doado à UNEB. Já que seu Trabalho de Conclusão de Curso será sobre SEDICA, para isso ela fará uso dos livros, revistas, fotografias, relatórios e arquivos de áudio. Um dos problemas encontrados pela estudante, que apresenta seu TCC ao final do ano foi o de encontrar as referências bibliográficas para seu trabalho.

“A mudança afetou o processo de pesquisa bibliográfica durante a disciplina de Seminários II, que é o primeiro passo para a construção do TCC. Por falta de tempo eu só consegui realizar uma visita à biblioteca da Diocese, na semana seguinte aconteceu a mudança e fiquei sem acesso ao material do qual precisava. Felizmente consegui terminar mesmo sem uns livros, pois alguns são antigos e não encontro na internet.”, comenta.

Como muitos outros juazeirenses, Adailma frequentava a biblioteca da Diocese no antigo prédio durante os ensinos fundamental e médio, muito mais do que a Municipal. Isso se dava pela localização de ambas e pela maior diversidade de exemplares existentes.


Tanto na visão da estudante de Jornalismo e do Professor Mestre, o acervo da Diocese vem a somar.  “Acredito que a UNEB ganhou um presente” relata o docente.Já a aluna acrescenta “Creio que o acervo da biblioteca da Diocese mesmo sendo um tanto desatualizado, ainda pode e certamente vai contribuir bastante para pesquisas sobre nossa região e sobre outros temas. Espero sinceramente que a UNEB saiba valorizar o potencial desse acervo”. 

*Fotos: Giomara Damasceno

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Plínio Amorim: Educação e Política



Foto: Alieny Silva
Filho e neto de políticos, o Professor Mestre Plínio Amorim carrega a veia política desde o berço. Graduado em Educação Física pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1985, Amorim fez sua especialização em Ciência do Desporto na Universidade de Porto (Portugal), em 2001. Amorim exerceu o cargo de Secretário de Educação nos municípios vizinhos Juazeiro, BA e Petrolina, PE. E atualmente é assessor especial de Modernização Administrativa da Prefeitura de Juazeiro.

Você tem formação acadêmica voltada para a prática esportiva. Quais os motivos que te levaram a exercer cargos políticos?
Eu sou formado em Educação Física, me formei em 1985 na Universidade Federal de Pernambuco. Passei num Concurso da Universidade de Pernambuco, na época era FFPP (Faculdade de Formação de Professores de Petrolina).e num concurso da UNEB (Universidade do Estado da Bahia), fui professor da UNEB por um ano. Dois anos depois fui fazer mestrado e quando voltei, assumi a chefia do departamento de pedagogia da FFPP.
Fui chefe de departamento até 2004. No mesmo ano me candidatei à direção da UPE. Foi uma campanha bonita e difícil, porque pela forma que era a contagem dos votos era muito difícil de uma oposição vencer.. Na época, pelas contas que fiz, faltou um voto de funcionário, mas faltaram 200 votos de aluno. Embora eu tivesse 1600 votos de alunos e a outra candidata em torno de 400. Eu tive 75% dos votos válidos.
Mas ai eu acho que meu nome tomou notoriedade. E a partir dessa eleição daqui [da UPE], o então prefeito [Fernando Bezerra Coelho] me convidou para ser Secretário de Educação de Petrolina. Foi uma oportunidade extraordinária pra mim, até porque administrar a educação é uma coisa complexa, grande. É ¼ do orçamento do município, 25% tem que ser utilizado na educação. Dei sorte de conduzir uma equipe muito boa e de incentivá-los a trabalhar. Acredito que contribuímos bastante pelas coisas que fizemos aqui, isso na minha opinião culminou em ganharmos um prêmio do Ministério da Educação como modelo de referência de gestão.

Quais as diferenças entre os planos educacionais de Juazeiro e Petrolina?
Petrolina iniciou um processo de gestão com foco em resultados na educação. E o que é resultado na educação? É o aluno ser aprovado, mas aprender. Ele não pode receber aquilo que se chama de aprovação automática.
Petrolina iniciou esse processo um pouco antes [que Juazeiro], com foco em resultados. Faz-se uma avaliação com os alunos, não pra dar nota, mas avaliação pra diagnosticar o nível de aprendizagem deles. São avaliações muito bem elaboradas, bem planejadas, para que a gente saiba quais os conteúdos o aluno está dominando. Nosso modelo era centrado assim: no início do ano os professores de todas as séries sabiam dos conteúdos, eram bem definidos. São os conteúdos que chamamos de descritores, que os alunos teriam que vivenciar ao longo do ano. Monitorávamos o nível aprendizagem do aluno, fazendo avaliações – sabendo quais alunos estavam abaixo da média, acima da média - e algumas outras políticas como nível de leitura, produção de texto.
Juazeiro demorou a trabalhar na busca de resultados. Essa foi a diferença. Quando eu assumi a Secretaria em Petrolina, esse modelo já estava montado, legitimado. Só precisava aprofundá-lo. Em Juazeiro não, a gente apresentou, a gente iniciou esse processo. São desafios enormes: um de você estabelecer [a gestão] e o outro é você manter.

A Câmara de Vereadores de Petrolina leva o nome semelhante ao seu.  Tem alguma relação? Qual é a relação?
Aquela pessoa lá é Plinio Amorim, meu avô que foi vereador aqui em Petrolina durante 26 anos. Na época vereador não recebia salário. Era voluntário. E pelo respeito, pela deferência, pelo compromisso dele, após sua morte os vereadores entenderam que a Câmara deveria levar o nome dele.  Pra mim é uma honra muito grande carregar o nome dele.

É daí que vem sua veia política?
Sim. Eu sou filho de político. Meu avô foi vereador por 26 anos. Eu tive um tio que foi vereador, meu pai foi vereador durante 16 anos. Mas, eu nunca coloquei meu nome para a coisa pública, além de eleição interna em nível de gestão educacional.  Enquanto meu pai [Juarez Amorim] foi político eu não gostava disso.
Durante 16 anos meu pai foi um politico tão dedicado, tão zeloso, que eu costumo dizer que durante esse tempo eu não tive pai. Eu tinha um homem que financiava a vida da gente, minha e de meus irmãos e, que de vez enquanto dormia com minha mãe.
Ele tinha um compromisso exagerado com a política. E com isso pela ausência que eu sentia de meu pai, eu não gostava de política. Mas, aí a maturidade vai chegando e a gente percebe que tudo acontece pela política.
A gente vive num estado de direito, isso significa que quem manda são as leis. E quem faz leis? Os políticos. Vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores. Eles que efetivamente fazem as leis, nas suas câmaras e assembleias. Então, a gente precisa escolher a boa política o bom político.
Por isso, hoje me curvei, me curvo e tenho uma admiração muito grande pela política, pelos políticos. A minha política é a política da educação. Eu costumo dizer que essa é a minha bandeira mais alta, é aquela que eu tenho zelo maior.

Seu sangue envereda para isso?
É, talvez o sangue politico me empurre para o lado da gestão. O da gestão pública a gestão da educação pública de maneira mais específica.
Por: Giomara Damasceno

domingo, 10 de novembro de 2013

Gentileza como agente de transformação da sociedade


A Corrente do Bem (Pay It Forward) Foto: divulgação
Na década de 70 um andarilho pregava palavras de amor, bondade e respeito ao próximo nas ruas do Rio de Janeiro, conhecido como “Profeta gentileza”, José Datrino inspirou muitas pessoas com a famosa frase “Gentileza gera gentileza”. Algumas décadas depois, mais precisamente em 2000, um filme dirigido por Mimi Leder pregava a mesma prática, “Pay It Forward” (A Corrente do Bem), o filme que narra a história de um professor que em uma de suas aulas lança um desafio aos seus alunos, eles deveriam: observar o mundo à sua volta e concertar aquilo que não gosta, um de seus alunos propõe a seguinte ideia: cada um faz um favor a três pessoas e cada uma dessas três faz caridade a mais três, e assim por diante, a ideia do garoto repercute pelo mundo inspirando pessoas. Tanto o profeta quanto o personagem interpretado por Haley Joel Osment levanta a questão de: até onde boas ações geram reações positivas e até onde isso pode mudar e influenciar a sociedade?        
José Datrino "Profeta Gentileza" Foto: internet
Em decorrência da ideia do filme “Corrente do bem”, pequenas ações positivas ganharam um sopro de vida, dando origem ao “Dia Mundial da Boa Ação”, que é celebrado no dia 24 de abril e consiste em formas simples de ajudar o próximo. A iniciativa propõe ações simples de caráter transformador, que pode ser desde ajudar um idoso a atravessar a rua, ceder o acento em um ônibus lotado, desejar um bom dia, entre outras formas simples que podem inspirar outras pessoas a aderirem ao movimento.            
Esse tipo de iniciativa de caráter mundial não precisou de uma data especifica para atingir o Vale do São Francisco. Em Petrolina, por exemplo, tem se tornado comum encontrar pessoas que não esperam um dia especifico para ajudar o próximo e faz dessa prática algo comum no seu cotidiano. Everton Rodrigo de 27 anos é uma dessas pessoas, ele faz parte de um grupo de jovens, que prega a caridade e o respeito ao próximo, “Eu gosto de ajudar porque é a forma que eu encontrei de ser útil, para as pessoas, não tenho uma boa oratória, mas quando é para servir da menor maneira possível eu fico feliz porque eu sei que dei o melhor de mim”, quando questionado sobre satisfação pessoal em ajudar ele acredita que a caridade é a melhor forma de se melhor consigo mesmo “Sinto que posso ser uma pessoa melhor, não apenas com palavras, mas principalmente com ações, quando estou participando de uma ação social seja ela qual for eu me sinto feliz”. 
O psicólogo Samuel Freire acredita que a prática altruísta trás a quem pratica o poder de tirar o outro da condição de marginal (que está a margem da sociedade, excluído), para que este ganhe um sentido novo "Quando você tira algumas horas, ou minutos do seu tempo para praticar uma boa ação, você leva para o outro um pouco de autoestima, tirando ele da condição de "invisível", para alguém que merece atenção, que merece ser bem tratado", em relação ao bem estar do praticante o psicólogo ressalta o bem que isso pode fazer, no sentido de se sentir útil para alguém "A sensação de bem estar é que existe de simbólico no ato altruísta. Por fim, relembro o que Lacan dizia sobre o amor: dar o que não se tem". 
Por Alieny Silva

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Respeitável público


O circo desperta sempre um mundo de fantasias na mente principalmente de crianças. "Como vivem os palhaços? Como é viver viajando? E como é que dormem no circo?" São perguntas que Diego Alves de nove anos e muitas outras crianças fazem ao se depararem com o mundo mágico circense.
Nos circos encontramos diferentes realidades. Desde instalações precárias com arquibancadas de madeira oferecendo situação de risco aos telespectadores, até alguns que já aposentaram esse tipo de estrutura, menos arriscado para quem assiste e para quem oferece o espetáculo.
Apresentação do circo Transbrasil. Foto: Giomara Damasceno
Há disparidades gritantes entre o Circo Transbrasil e o Circo Show. Mas, uma coisa eles tem em comum: o circo ainda é um negócio familiar, vivido e administrado por várias gerações. Jurandir Brasil entrou no circo por fascínio e José Alfredo Silva conheceu a vida do circo após a morte de sua mãe, o pai, uniu-se ao circo, o qual ele nunca mais saíram.
O curioso nessas histórias é que ambos tinham nove anos. A mesma idade de Diego. E também de algumas crianças que crescem no Circo Show. E aprendem a vida circense brincando “Eles começam com pequenos números. Às vezes aparecendo ainda bebes em cena com os palhaços” explica Tom Barros que hoje comanda o circo que conta com mais de 50 pessoas, quase todos, membros da mesma família. É possível observar quatro gerações sob a lona, o fundador o seu J. Silva com filhos, netos e bisnetos. 
Enquanto seu J.Silva conta as histórias, aventuras – que incluem até rapto da esposa - e dificuldades com nostalgia, Tom preocupa-se com o futuro do circo “a vida no circo está ficando difícil. Antigamente o circo chegava na cidade e era aquele tumulto. Enchia de crianças. Hoje há crianças de 9 e 10 anos que nunca foram ao circo”.  Ele atribui a falta de interesse não à criança, mas ao uso das tecnologias, e exemplifica com o exemplo do próprio circo “antes nos juntávamos todos no picadeiro e brincávamos e conversávamos. Hoje, cada um tem a sua tv a cabo, sua internet. Fica cada um no seu trailer. Não há mais aquele momento de convivência. Antigamente se um carro quebrava na estrada, a gente não esquentava tanto. Acendíamos fogueira e ali passávamos dias. Agora se um carro quebra e a gente passa um dia, parece que vai morrer”.
Além da queda de público, a queixa dos circenses é encontrar espaço nas cidades para instalarem-se  “a gente ficou aqui meio escondido, o povo tem de medo de vir”. Mas para Tom o circo não irá acabar “ há alguns anos achei que o circo ia acabar, logo depois foram surgindo muitos circos novos. O circo não vai ter fim.” desabafa.

 *Por Giomara Damasceno

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Inah Tôrres – “O começo do jornalismo social de Petrolina”


Por Alexandre Borges e Lícia Loltran

Foto: Arquivo pessoal



Uma menina “assanhada”

 “Quando eu era pequena diziam que eu não ia dar para o que prestasse”. Era essa ideia que a sociedade da década de 40 fazia de uma menina de 13 anos querendo trabalhar fora de casa, mesmo Inah trabalhando com o pai e o irmão. Seu pai foi diretor do jornal “A Defesa” em Caruaru, terra natal de Inah, e seu irmão era distribuidor de jornais na capital Recife. Dessa forma, a cada dia a jovem se interessava mais pelo universo das letras e se entusiasmava em participar de tudo aquilo. Seu pai, que era um autodidata e sempre incentivou os filhos a lerem jornal, deu a primeira oportunidade da filha em escrever no jornal “A Defesa”.Inah, entusiasmada com a ensejo, escrevia pequenos textos para o jornal até o dia em que, um tanto quando ‘assanhada’ com o mundo do jornalismo e suas possibilidades, resolveu escrever quadrinhos sobre ‘O Beijo’. Seu João Tôrres, pai de Inah, não permitiu que a filha escrevesse novamente para o jornal.

Mesmo com a proibição, a jovem Inah continuou trabalhando na parte administrativa do jornal e se encantando com todo o processo, desde a produção na tipografia, onde ela relata a minuciosa criação do jornal, desde a montagem das letras, às prensas e outros aspectos de confecção do jornalismo da época. Inah Tôrres cresceu entre os jornais, o pai dirigia um, o irmão distribuía, e a rua que ela mais adorava e frequentava em Caruaru, era a Rua Vigário Freire, composta de vários jornais em toda sua extensão. Foi assim, que a menina ‘assanhada’ foi crescendo e trabalhando com o jornalismo, mas ainda queria que seu nome estivesse nas páginas, queria poder falar do que gostava nas páginas do jornal, do seu jeito, queria ser jornalista social.

Mas, Inah Tôrres ainda continuaria conhecendo o processo dos bastidores quando foi trabalhar com seu irmão Luiz Tôrres na sessão administrativa da distribuição de jornais. Assim, ela, que amava conversar, ficava sabendo das principais notícias e também tinha acesso a inúmeros jornais diferentes. A oportunidade que Inah aguardava não demoraria a se concretizar. Todo o incentivo recebido de seu pai e irmão refletiria, como explica Inah, em toda a paixão da família pelo jornalismo. Legado que Inah recebeu e que deixa também para seus filhos e netos, muitos deles também envolvidos nesse mundo fantástico, que é o jornalismo para a família Tôrres.


 “Aí é com você!”

Chegando à Petrolina em meados dos anos 70, graças a uma série de fatores – entre eles o casamento, o fato de querer ficar perto do marido e a presença de Joãozinho do Pharol, Inah nunca mais foi a mesma. Quando fala do querido amigo Joãozinho, seus olhos brilham e, nos lábios, aparece um sorriso inocente de adolescente.
- Aquele homem era retado! – diz, risonha.
Pedida, inclusive, para definir o jornalismo da época na cidade, Inah não titubeia e, da sua boca, sai a expressão: “A grandiosidade de Joãozinho do Pharol.”
Ela conta, feliz, que foi a primeira mulher a assinar um jornal na região. Muitas moças já trabalhavam em outros processos de produção, como na tipografia (a qual ela descreve tranquilamente, como se tivessem se passado dias ao invés de anos), mas Inah foi a pioneira DENTRO do jornal. A ideia era escrever uma coluna social.
- Mas Seu Joãozinho, como ela vai se chamar?, Inah questionara
- Ah, Inah, aí é com você! – ela narra, procurando gesticular com as mãos e demonstrar com a face gestos característicos do grande amigo do passado.
Surgia assim o Com Você... Crônica Social. E começava, dessa maneira, ainda que gradualmente, a consagração de Inah dentro do jornalismo social. Ela afirma, com um sorriso arteiro no rosto, que as pessoas queriam sair em sua coluna. E é com o mesmo sorriso, só que agora de orgulho, que ela diz que nunca aceitou nada de ninguém por um lugar no jornal.
- Eu escrevia sobre tudo; eu queria escrever tudo. Não gosto, até hoje, de notinhas pequenas.
À época, Petrolina já demonstrava claros sinais de avanço, não só pela chegada das máquinas que aceleraram o processo, mas por uma combinação de fatores. Inah é categórica ao afirmar:
            - Já se falava em Petrolina ser grande. Tudo isso que a cidade é hoje... A gente já imaginava.
Questionada sobre o regime militar que àquela época vigorava, Inah não titubeia:
- Eu era apaixonada pelos militares! Se eu pudesse, teria me alistado.
E termina o assunto afirmando que nunca sofreu censura.     

“Minha paixão é o papel”

Quando o assunto se volta para o rádio, especificamente a Radio Grande Rio AM, a qual Inah começou a fazer parte em 1982, após um convite de Carlos Augusto, seus olhos brilham. Começava, assim, o Em Sociedade, uma versão radiofônica do Crônica Social, por assim dizer. O programa está no ar até hoje.
Contudo, Inah deixa claro: “Minha paixão é o papel.” Tece distintos elogios ao rádio e sua capacidade de difusão, mas diz que o mesmo perde na capacidade de se perpetuar. “Papel é pra sempre. Não vai acabar. A gente pode ler hoje um jornal de 20 anos atrás.”
E é tal paixão que a faz ser categórica quanto ao pensamento de que hoje em dia jornalista não precisa mais ter diploma.
- Eu fico triste. Na minha época, só tinha diploma quem era rico, quem podia mandar os filhos estudarem em Recife. A gente aprendia na garra. Mas eu fazia tudo direitinho. O meu registro é um dos 100 primeiros.
De fato, o registro de Inah junto ao Conselho de Jornalistas é o de número 097.
- Naquela época, era isso que a gente tinha que fazer para legalizar. Mas durante o processo, a gente continuava trabalhando. Eu disse: “Me tire daqui que eu arrumo um advogado, te processo e ganho.” Alguém tentou me impedir de fazer o que eu amava? Não.
E, de fato, nos perguntamos: Quem seria o louco?

A animação de hoje e sempre
Inah Tôrres, com uma simpatia e animação contagiante, relembra do momento e do sentimento que a tomou quando foi convidada para escrever sobre Petrolina no Diario de Pernambuco e no Jornal do Commercio. Para ela, escrever sobre a cidade de que a acolheu de braços abertos, em dois veículos que são de suma importância para a região tornou-se sua maior alegria.

No Diario, Inah escrevia meia página sobre eventos, grandes acontecimentos e personalidades da cidade. Inah Tôrres conta que, várias vezes, recebeu ofertas que tentavam comprá-la para que pudessem aparecer em suas colunas sociais. Essas propostas tornaram-se frequentes, mas a ética sempre andou de mãos dadas com a jornalista. “Uma vez eu fui comer em um restaurante e disseram-me que eu não iria pagar nada. Que era só colocar uma notinha na minha coluna. Não aceitei e paguei meu almoço. Se eu gostar do local, da comida e for bem atendida, aí sim eu escrevo sobre”, explica Inah.

Ao ser perguntada sobre “a Inah de ontem e a Inah de hoje” ela responde rápida, que não há mudança. Continua com a mesma dedicação, esforço e amor ao jornalismo. Diz entre sorrisos que adora se doar para as pessoas e dar boas notícias.“Se eu tiver que dar uma notícia ruim, eu dou. Mas dou com alento”, afirma com os olhos sérios e perspicazes. Prestigiada por onde passa e requisitada para contar sobre a sua história com o jornalismo, Inah interrompe seu depoimento para atender uma ligação que a convidava para mais uma entrevista. Convites que já fazem parte da sua rotina há muito tempo. Para os jornalistas que estão começando, a jornalista lembra que “é importante ter humildade e não passar por cima das pessoas para ganhar espaço e oportunidades” conclui a sempre brincalhona e sorridente, filha adotada de Petrolina, Inah Tôrres.                     

domingo, 3 de novembro de 2013

Voltando pra casa...



03 de novembro, Por volta das 20h.

Voltando da casa de minha avó pela BR 407, após um feriado. Notamos o pisca alerta de uma carreta ligada na pista. O primeiro pensamento? Assalto. Como meu tio mesmo disse, estávamos numa “bocada”. Passamos pelo caminhão pela faixa oposta e devagar observamos o que acontecia. Vi uma moto caída e um homem ao chão. Segundo pensamento?  Acidente e morte. Era quase isso. Meu tio encostou o carro e quando abri a porta e olhei para trás o moço caído levantou-se e caiu novamente, dessa vez entre as faixas, bem ao centro da pista. Olhei para minha mãe e anunciei: “o cara tá bêbado”. 
Foto: internet
Por sorte, muita sorte mesmo, nossa e do senhor aparentando uns 40 anos chamado Adalberto, um caminhoneiro avisou pelo rádio para o outro que vinha em mão contrária que tinha um cara “sambando na pista”. O segundo caminhoneiro sabidamente parou o caminhão e presenciou ele bater naquelas pontes que há em pistas onde corre rio intermitente. Adalberto aparentemente não teve nada. Algumas escoriações leves no pé e no nariz. Mas foi por pouco. Para ele e para nós.
A lei seca completou dois anos esse ano, já foi até tema da redação. Mas é levada por muitos na brincadeira. Apesar da redução significativa de acidentes - segundo a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco foram 14,8% no interior do estado- todo feriado, prolongado ou não, somos bombardeados por notícias de acidentes  e óbitos que aconteceram por este motivo. Uma combinação – sendo clichê, porém não menos verdadeira – perigosa e mortal.
Ao caminhoneiro que parou o caminhão e evitou uma tragédia, meu muito obrigado, por mim, por minha mãe, tio e irmão que estávamos no carro que provavelmente nos envolveríamos num grave acidente. Ao Adalberto, cuidado. Não o desejo mal. Mas, que dessa vez isso te sirva de lição. Como disse minha mãe a você “Agradeça a Deus, porque você escapou por pouco”.  Bebida e direção não devem ser combinadas jamais.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Gangorra pernambucana

Futebol Pernambucano reflete em campo deficiência da administração 


Artigo de opinião

Maria Yamakawa - O Mundo do Vale

O esporte tem lugar especial na vida de muitos brasileiros. Há quem fique mal com a derrota do time no final de semana, quem chore com vitórias. E com os torcedores pernambucanos não seria diferente. Porém, Pernambuco não tem motivos para se alegrar com o futebol jogado por aqui.


Futebol pernambucano vive de "sobe-desce" na série 
A do Campeonato Brasileiro (Foto: Goleadape.wordpress.com)

Náutico, Sport e Santa Cruz são os maiores clubes do estado. O primeiro já está matematicamente rebaixado da Campeonato Brasileiro Série A 2013, o Santa Cruz disputa a terceira divisão do nacional. Em contrapartida, o Sport está há poucas rodadas de retornar à elite do futebol brasileiro. O histórico do trio demonstra o efeito sobe-desce do esporte em Pernambuco.

Embora o estado venha sendo representado na elite do campeonato nacional, os clubes de Pernambuco não são competitivos. Ora alternam rebaixamentos ou jogam para cumprir tabela, já que não lutam para conquistar títulos.

Trio de peso? (Foto: vidanews.net.br)
Esse efeito pode ser resultado do abismo existente entre a administração dos clubes formadores do eixo Sul-Sudeste. Falta de profissionalização de gestores, treinadores e até mesmo jogadores resulta em clubes fracos diante de outros mais bem preparados.

Náutico, Santa Cruz e Sport são grandes quando comparados à Petrolina, Araripina, Belo Jardim, Ypiranga, Salgueiro, entre outros clubes interioranos. Mas quando aquele trio confronta clubes de outros estados, percebe-se a distância técnica entre o futebol do estado. 

Isso chega a ser uma contradição, pois muitos atletas de renome nacional e internacional começaram suas carreiras em Pernambuco e outros estados do Nordeste. Por que somo capazes de revelar jogadores, mas não de ter clubes competitivos?

No próximo ano o Sport provavelmente representará Pernambuco na primeira divisão. O Náutico se juntará ao Santa Cruz (caso esse último consiga o acesso à Série B). Se o esporte pernambucano não tiver como alicerce uma gestão séria, preocupada com títulos e em construir um nome forte no esporte, não demorará muito, o estado ficará sem representantes na elite do futebol nacional.