quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A maldição da tecnologia

Artigo de opinião

Não é de hoje que fico incomodada com atitudes de algumas pessoas – sejam amigos ou não. É mais importante dar atenção freneticamente (e até mesmo INSANA) ao smartphone? E a pessoa que está ao seu lado numa mesa de bar, ela não merece atenção?

Brasil tem 270 milhões de usuários dos
smartphones, mas falta senso de alguns
usuários (
Foto: portaldepaulinia.com.br)
Não condeno a tecnologia, pelo contrário. Tenho como opinião que todos os avanços são resultados da curiosidade humana em sempre ir além do que está ao nosso alcance. Porém (vai um grande porém aqui) encaro como absurda essa atitude de ignorarmos as pessoas ao nosso redor para conversarmos com elas nos chats e SMS (mensagens de texto).

Pense comigo: você está numa mesa com seus amigos, resolvem botar a conversa em dia e alguém não consegue tirar o olhar (e os dedos) do smartphone. Essa pessoa não consegue nem olhar nos olhos dos amigos, não observa a roupa que eles usam, o que eles pediram e o que comeram. Isso incomoda e muito.
De acordo com a empresa norte-americana de segurança móvel, Lookout, os yankees estão cada vez mais ligados ao amigo smartphone e esquecendo de viver. 


Apesar do bom senso, muitos não seguem a regra do
 "Não envie mensagem ou cheque seu celular quado es-
tiver conversando com as pessoas" (Foto: O Globo)

Segundo a matéria divulgada pelo Diário de Pernambuco na manhã desta quinta-feira (24), 63% dos americanos participantes da pesquisa consultam seus aparelhos telefônicos de forma compulsiva, de hora em hora.

Se essa pesquisa fosse realizada no Brasil, não tenho dúvidas de que os números seriam maiores. Já mostramos sermos superiores aos norte-americanos no quesito Orkut, Facebook e porque não no smartphone?

Eu não me incluo nessa categoria de obcecados em aparelhos móveis. Utilizo para ligações, consultar e-mails, acessar redes sociais e trocar mensagens de texto. Mas não abro mão da conversa olho no olho com os amigos, do abraço e aperto de mão, do calor e do afeto da conversa pessoal. Sou daquelas que utiliza os dedos frenéticos para guiar minha mão em direção a do amigo e cumprimenta-lo com um forte aperto de mão e um abraço.

Por: Maria Yamakawa

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Entrevista: Maestro Spok, da Spok Frevo Orquestra



 
Foto: Cátia Regina
Tímido, de fala mansa, cordial e gentil. Organizando o tempo entre uma entrevista e outra, ele atende a todos. Um a um, com toda sua simpatia pernambucana. Este seria outro dos seus adjetivos, pernambucano. Em toda sua fala, deixa claro o orgulho de ser "um leão do norte". A mistura de sons, as turnês internacionais, os atuais e futuros trabalhos, são alguns dos assuntos que o maestro Spok aborda aborda nessa entrevista. 

Como surgiu a ideia de juntar o jazz com o frevo?

Na verdade, não ouve uma intenção de misturar o frevo com o jazz. E eu até entendo que a gente faz Jazz, mas jazz no sentido de liberdade de expressão, não no sentido de música americana. Porque para mim, o jazz já deixou de ser música americana há muito tempo. Então a gente faz um frevo onde os músicos tem uma liberdade de expressão. E essa vontade veio porque nós nascemos e nos criamos nas ruas e ladeiras de Recife e Olinda. E por tocarmos nas ruas. A dança e a folia, a manifestação de carnaval sempre esteve à frente da música. A música acaba sendo uma trilha sonora para que as pessoas possam pular e se divertir. Eu amo tocar nas ruas, amo tocar paras as pessoas pularem e se divertirem, principalmente para as pessoas daqui, de Pernambuco e da minha cidade que é Recife. Mas, é como músico que eu falo, isso sempre me incomodou. As pessoas não prestarem atenção no que a gente tá tocando. Mas de alguns anos pra cá, tem sido  sensacional, também como músicos, a gente tocar essa mesma música que tocam nas ruas, para as pessoas dos palcos, nos teatros consagrados do Brasil e do mundo. As pessoas acabam falando que esse frevo que a gente toca é um frevo jazzístico, e entendo no  sentido de liberdade de expressão. Só. E não por ser música americana.

De onde surgiu esse nome: Spok?

O nome Spok é de ginásio. Surgiu quando eu fazia a quinta série na minha cidade em Abreu e Lima e eu fazia isso aqui (mexe as orelhas). E eu ficava mexendo a orelha quando o professor explicava alguma coisa. E um amigo brincalhão, gaiato, sentado atrás de mim observou. E na época passava um seriado chamado “Jornada nas Estrelas” e ele disse “Ei, boy, tu só quer o Spok”. Depois disso ele passou a me chamar. E alguns amigos foram me chamando também, até que hoje posso dizer que virou meu nome.
Meu apelido passou a ser meu nome. Pois, quando estou estressado na orquestra os meninos brincam comigo dessa forma “Eita, chegou seu INALDO” que é meu nome. Então Inaldo passou a ser meu apelido. Me sinto bem, me sinto feliz. Pelo menos não deu azar. 




E como o público recebeu no início essa mistura, esse frevo diferente?

Foto: Cátia Regina
No inicio foi muito complicado com os estudiosos, os puristas de nossas músicas, por exemplo. Alguns deles não achavam que achavam que a gente estivesse fazendo frevo. E sinceramente, eu entendo todos eles. Concordo com a maioria dos questionamentos. Porém, nós temos nossas intenções com o frevo e com a música. E a gente acha sim, que faz frevo. A única diferença é que a gente faz solos e todos os arranjos são voltados para o musico solar. A nossa intenção é fazer frevo para as pessoas escutarem e não necessariamente dançarem. No carnaval a gente faz o frevo tradicional como ele é. Pois, durante o ano, fora do carnaval, a gente vem realizando esse frevo voltado para o teatro. Tanto que todo mundo se veste de paletó e gravata.
Hoje em dia é tudo mais tranquilo, apesar de eu entender e saber que eles continuam com a mesma opinião. Mas quero deixar bem claro que eles estão certos também. Mas nós temos nossos sonhos e a gente não pode deixar de tentar e corre atrás de realiza-los. E a gente vem realizando.

Quais as influências, além do jazz, da Spok Frevo?
Nós somos pernambucanos, então toda nossa influencia é da música de Pernambuco primeiro: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jacinto Silva, Nelson Ferreira, Livino Ferreira, Glaudionor Germano, Espedito Paracho... Toda a música de Pernambuco. Os repentistas são meus maiores ídolos, os poetas populares. Eu gostaria de ter sido um, mas Deus sabe porque não dá asa a cobra, eu acho. Então, todos eles me influenciam muito. Saindo dai, Severino Araujo, Felinho, toda a Orquestra Tabajara, orquestra Banda Mantiqueira. Saindo do Brasil, Todas as orquestras americanas: Glenn Miller, Tommy Dorsey... Mas a principal influência é Pernambucana e a musica brasileira.

Você falou em Dominguinho, ele compôs uma música que ele que está na turnê de vocês. Como se dá essa relação, vocês fazem alguma homenagem?
Eu cheguei a ficar amigo de Dominguinhos nos últimos anos de sua vida. Eu sempre fui louco para ser colega dele. E uma vez, ele precisou de mim. Ele me ligou e eu não acreditei que ele estava ligando. Foi uma emoção muito grande. Ele me pediu pra fazer um arranjo de um frevo para a filha dele, Liv Moraes.  E nós estreitamos os laços por causa disso, porque ele foi também gravar. Eu escrevi e ele gravou. A gente passou dias se falando e a gente passou a tarde inteira de gravação se falando, foram momentos especiais em minha vida. E ele ficou de participar do nosso disco, sendo que depois de alguns meses ele sempre que me via dizia “Spok cadê a gravação? cadê a gravação?”. E no momento de gravar, ele teve uma piora e foi internado e não saiu mais do hospital. E esse frevo que a gente gravou é um frevo que eu me apaixonei por ele desde o dia que o ouvi há décadas atrás. E hoje a gente realiza um sonho também de ter gravado esse frevo. Que na época que eu ouvi eu não tinha gravado e eu gostaria muito de ter gravado. E poder ter realizado isso hoje foi sensacional, poder registrar esse momento para a eternidade. Salve, salve mestre Dominguinhos!


Vocês recentemente fizeram em turnê pela Europa e foram bem conceituados pela mídia internacional, o que mudou depois desses shows?
Foto: Cátia Regina
Há cinco anos a gente sempre faz turnê pela Europa no verão. Em junho, julho, a gente vai para a Europa. Ai, no meio do ano entre junho e dezembro a gente volta e depois vai para os Estados Unidos.  Tudo isso é por causa da seriedade, porque é muito trabalho em preparar uma musica que o mundo ainda não conhece. De uns cinco anos pra cá, a gente vem ajudando que o mundo conheça esse som. As pessoas que vão para esse tipo de festa que a gente toca, são os apreciadores da musica instrumental, são os músicos, as escolas de música, os festivais que a gente participa tocando frevo e são sonhos que não param de serem realizados. Essa ultima turnê foi mais um sonho, ano que vem temos mais duas turnês confirmadas em junho e julho pela Europa em julho pelos Estados Unidos dando oficinas e workshops pelas universidades e tocando ao lado de músicos que a gente só conhecia por vídeos e tal.

Depois dessas turnês pela Europa e pelos Estados Unidos, a mídia tem reconhecido mais o trabalho de vocês, aqui, no Brasil?
Eu acredito que sim, porém o que a gente trabalha é com a musica instrumental. Então o publico ainda é restrito. Há músicos, há pesquisadores. Ainda não é um público que escuta o rádio, por exemplo. Nos não atingimos esse publico ainda. Mas dentro desse universo, dos que curtem a musica instrumental, nosso trabalho tem repercutido de uma forma muito feliz. E estar aqui hoje, por exemplo, no SESC de Petrolina, falando sobre frevo, tocando frevo,  é uma mostra disso. De que nosso trabalho está andando e as pessoas estão ouvindo e querendo entender  mais. Fico muito feliz por fazer parte desse momento. Nosso trabalho vem andando e estar aqui, fora do período de carnaval, é uma prova de que isto vem acontecendo de uma forma feliz.

O frevo ainda é muito restrito a Recife e Olinda. O que falta para o frevo se tornar uma musica do ano inteiro?
Eu posso falar com propriedade sobre musica instrumental. Eu posso te dizer que eu trabalho com frevo todos os dias da minha vida. Eu não necessariamente toco  frevo todos os dias. Mas penso em frevo todos os dias. Eu alcancei uma fase que eu só trabalhava quatro dias por ano com o frevo. E hoje é sensacional trabalhar com frevo todos os dias. Então a nossa orquestra, passa o ano inteiro trabalhando. Mas é um frevo instrumental. Porém as outras modalidades de frevo, como o frevo canção e o frevo de bloco. Eu acho que ainda, de uma forma geral, acontecem só no período de carnaval e algumas semanas antes, no período pré-carnavalesco. Porem, vários novos compositores e vários artistas andam trabalhando seriamente com essas modalidades, de frevo canção e de bloco,  para que elas possam também andarem por outros lugares e  possam ser apresentadas fora do período de carnaval. Mas isso é um processo de médio e longo prazo, não só para o frevo canção e de bloco, mas também o frevo de rua que é o frevo que a gente trabalha. E ai entra todo um sentido de escola, que aos poucos vem acontecendo.

O Nordeste é retratado muito pela mídia pelo estereótipo da pobreza e da miséria. Você fazem algum trabalho para quebrar essa visão afora do país e também no país?
O nordeste é tido como de muito folclore. Pernambuco por exemplo, é um país de muito folclore. E coloco também o frevo, o caboclinho, maracatu, a ciranda as bandas de pífano. Sempre me incomodou aquele olhar de quem é de fora, principalmente aquele olhar de folclore. Aquele olhar de “Ah que bonitinho isso, que engraçado”. Não, a gente procura fazer o nosso trabalho da forma mais séria e profissional possível para que isso não seja só bonitinho.  O  que a gente faz é música, a gente faz um trabalho muito sério. A gente ensaia muito para que isso possa acontecer. E acredito que esse trabalho sério, com o máximo de dignidade possível. Mostra um pouco para as pessoas que ninguém é coitado, ninguém é miserável, ninguém faz folclore. Tem tudo isso, mas também é uma coisa muito séria que está sendo feita. E posso dizer que de Chico Science é um divisor de águas também, com a seriedade de nossas coisas. Com a seriedade de que é possível beber do que é de fora, mas sem perder a alma e sem necessariamente fazer folclore, sem ser coitadinho ou miserável. É coisa muito séria. 

Foto: Cátia Regina


Quais os novos projetos da Spok Frevo?
Vou colocar três principais. Primeiro vou colocar o nosso disco que a gente tá lançando daqui a dois meses, “Ninho de Vespa” que é uma composição de Dori Caymmi, filho de Dorival Caymmi. Uma composição que mudou minha vida, quando ouvi uns 18 anos atrás. Me encantei por esse frevo e ele me abriu uma grande janela de possibilidades com o frevo. E a minha emoção aumentou quando ele fez uma participação especial, há uns 20 dias e mandou a participação dele dessa mesma música, “Ninho de Vespa”.  É uma composição dele com Cesar Pinheiro.  O outro projeto é o longa/doc. De 1h40            ‘ que já está editado, a gente só está finalizando cor, áudio e as legendas. “São sete corações” o nome do longa/doc. Que conta a história de sete mestres vivos do frevo, sete maestro, compositores que não tem mais as suas orquestras. A gente conseguiu reuni-los para um documentário importantíssimo para a história da música brasileira. Para você ter ideia, entre um deles há um de 91 anos, e o frevo tem oficialmente 106 anos, então são mestres que por muito pouco não fazem parte da primeira geração da história dessa música. Isso é uma coisa muito séria. Frevo que é a única música genuinamente instrumental brasileira para orquestra e é única instrumental brasileira com o choro. E isso tem muita importância. É a maior realização da minha vida até hoje.
 O outro, que é outro grande sonho, que é o Instituto Passo de Anjo. Já conseguimos comprar uma casa onde será uma escola voltada para a música, a dança, a percussão pernambucana. Queremos trabalhar 90% as coisas de Pernambuco, os mestres de Pernambuco e 10% voltada para o Nordeste.
E tem também o outro sonho que é trabalhar com o universo junino, onde  a gente vai estra lançando também no primeiro semestre do ano que vem um dvd com a orquestra Forrobodó, onde a gente tem a participação de grandes músicos brasileiros como Fagner, Elba Ramalho, Santana, Maciel Melo, Delson, Genaro... É um dvd gravado em preto e branco, muito elegante. Esses são os quatro projetos que vamos lançar ano que vem.

Giomara Damasceno

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Um e Um precisa ser dois?



Artigo de Opinião.


Segundo a definição usual, estereótipo é a visão preconcebida de uma coisa ou pessoa. Aquele pré-conceito que criamos a respeito de algo ou alguém devido as ideias que nos foram previamente passados ou ao que o tal “objeto” transmite. Se é negro, é bandido. Se é gay, é pervertido. Se é branco, é rico e chato. Se é nerd, é antissocial. E por aí vai. A lista cresce, sendo alimentada, dia após dia, graças as normas e ideia estabelecidas por uma sociedade que preza cada vez mais a padronização.

Pesquisas recentes apontaram que os jovens costumam mentir sobre sua vida sexual a fim de se encaixar no que é considerado “normal”. E é possível estender tais resultados a outras áreas também. Quem nunca pensou em ocultar uma informação ou distorcer a mesma apenas para ser “aceito” em uma roda de conversa? Ou para agradar outra pessoa, que às vezes nem lhe conhecida é. Clube da Luta, aclamado filme do diretor David Fincher, chama a atenção para isso ao construir um roteiro sobre a necessidade de consumo e de aceitação. “Nós compramos coisas que não precisamos com o dinheiro que não temos para agradar gente que não gostamos.”

A reflexão não é gratuita. 



Dia desses, conversando com uma amiga recente, de cerca de 1 ano, que ela ficou chocada porque me viu bebendo cerveja e cantando e dançando música de samba. O mais engraçado é que não foi a primeira vez que me falaram isso - e certamente não será a última. A explicação é sempre a mesma: É meio chocante ver alguém assumidamente dito nerd saber esse tipo de música e sentar num bar pra beber.

Então, eu sou nerd, sim. Nunca neguei isso. Metade do meu guarda roupa é de camisas de super herói, tenho uma estante cheia de livros e algumas revistas em quadrinhos, além de boxes de séries e filmes. Cresci jogando Pokémon, Super Mario e Resident Evil. A maioria dos meus papos no dia-a-dia está ligada a uma dessas vertentes e eu troco fácil uma festa na sexta a noite pelo meu computador, abastecido de novos episódios, seja lá do que for.

Mas por que um nerd não pode ouvir música de samba e tomar cerveja? Nessas horas, quando saio com meus amigos, me dou a total liberdade de beber (claro que no limite) e de cantar e dançar o que estiver tocando na hora - o que, considerando a região, é quase sempre forró ou pagode. E acho que em momento nenhum isso deveria ser um choque, só porque não está de acordo com o "estereótipo" a que eu teoricamente me enquadro. Não quero ser mais uma estática. Não quero estar rotulado e preso a algo pelo resto da minha vida.

Estereótipos existem para serem quebrados.

E então eu vou continuar usando minhas camisas de super herói e filmes, lendo meus livros de fantasia, assistindo meus seriados e meus filmes e também sentando com meus amigos pra tomar uma cerveja e dançar e cantar o que estiver tocando, seja música eletrônica, forró, samba ou funk. Porque a vida é muito imprevisível pra gente ficar se prendendo a regras pré-estabelecidas.

Alexandre Borges

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A busca por espaço no trânsito



 
Ciclistas enfrentam luta diária por espaço (Foto: euvoudebike.com)
Seja em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, as bicicletas figuram entre carros, motos e ônibus. A disputa por espaço é digna de Davi contra Golias e quase sempre, as “magrelas” – como as bicicletas são chamadas – levam a pior. 

O boom das bicicletas é reflexo da onda de sustentabilidade e conscientização sobre os meios de transportes limpos. Somado a isso, o ao alto custo da manutenção dos veículos automotivos e ao trânsito cada vez mais caótico. A frota de bikes no Brasil já é a sexta maior do mundo, segundo dados da Secretaria de Transportes Urbanos. 

Juntamente com o aumento do número das bicicletas no país, houve também elevação no número de acidentes e mortes. Entre 2001 e 2010, foram registradas mais de 500 mortes com ciclistas em Pernambuco de acordo com um estudo realizado na Universidade de Pernambuco (UPE). 

Com as magrelas entre ferozes motocicletas e carros, os ciclistas se apequenam e vivem a insegurança no trânsito. “Falta espaço para nos locomovermos com segurança. A faixa de ciclovia que tem na cidade não é suficiente para quem utiliza bicicletas. Quase sempre tenho que dividir espaço com carros e motos para chegar ao trabalho” afirma o auxiliar de escritório, Ivan Yamakawa de 26 anos.

Petrolina possui ciclovias – espaço destinado ao tráfego de bicicletas - na Avenida da Integração, Avenida Monsenhor Ângelo Sampaio e Orla, mas segundo os ciclistas, o espaço não é suficiente para garantir uma pedalada segura.

Ciclovias são limitadas e abrangem circuitos limitados (Foto: Gazzeta)
 
A estudante de Medicina, Mariele Nascimento, de 21 anos vê na bicicleta a melhor forma de locomoção para a faculdade. “A passagem de ônibus está muito cara, vi na bike uma forma de ser mais saudável e de economizar dinheiro. Sinto medo quando tenho que andar fora da ciclovia e atravessar avenidas, porque não há sinalização adequada nesses lugares.”

Os desafios e medos são compartilhados com quem utiliza as bikes para a prática esportiva. “Usamos os equipamentos de proteção e equipamos a bicicleta, mas muitas vezes as pessoas não nos respeitam. Geralmente pedalamos à noite e é mais perigoso ainda. Temos que contar com a sorte” revela João Moreira, 21, estudante de Educação Física e ciclista amador.

A insegurança dos ciclistas é uma consequência da falta de uma legislação eficiente sobre esse assunto e elas não são homogêneas. Recife possuiu uma, São Paulo outra...enquanto em Petrolina não há. 

Maria Yamakawa

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Qual é o nome do bebê?


Quando uma mulher anuncia para a família e amigos que está grávida, logo a pergunta sobre o sexo da criança e qual será o nome do bebê são levantadas. Existe uma cultura, pelo menos no nosso país, de que tudo deve ser preparado antes da criança nascer. Os pais precisam saber o sexo para que os amigos, familiares e os próprios pais providenciem todo o enxoval, chá de bebê, álbum de fotografia, e tudo que está relacionado à chegada de um novo membro a família. 

Muito dessa cultura de ‘saber antes de nascer’ se deve às concepções preestabelecidas de que, se for menina, os pais se entregarão ao mundo cor-de-rosa das confecções e, se vier um menino, os pais estarão mais preocupados entre o ‘azul’ ou o ‘verde’. Essa espécie de tradição muda pouco de família para família. O primeiro presente da menina que está por vir tende a ser um sapatinho ou vestidinho, típicos de uma ‘princesinha’. Já os meninos são presenteados com macacões, brinquedos e acessórios de ‘menino’. É como se as crianças fossem determinadas pelo seu sexo e pelo seu nome.

Quando a família começa a escolha do nome, muitas são as opções. Optar pelo nome sempre sonhado por um dos pais desde a infância, tentar escolher pelos nomes mais simples ou ainda por aqueles que ninguém tem um igual. Há pais que preferem homenagear o pai, avô, avó, tia, a mãe e até mais de um parente ao mesmo tempo. É aí que surge a maioria dos nomes mais exóticos que encontramos pelo mundo todo. Existem ainda os que preferem os nomes mais falados, mais conhecidos e mais badalados do momento. 

Aqueles usados até pela maioria das celebridades. Segundo o site BabyCenter, em 2012 no Brasil, entre 84 mil bebês registrados, o nome ‘Sophia’ foi o mais escolhido para as meninas e ‘Miguel’ para os meninos. Observa-se nesses dados que o nome mais registrado em 2012 para meninas foi um nome internacional, inclusive, com escrita não convencional aos padrões da língua portuguesa. Essa tendência vem ganhando mais espaço, talvez não pela ‘beleza’ ou ‘significado’ que o nome carrega, mas pela influência que o nome estrangeiro exerce no imaginário das mães e pais. Há sempre uma tendência em imaginar aquele bebê, com aquele nome, com aquele sexo e com aquela forma. A descoberta que o filho não será nada do que eles imaginam ou planejaram vem depois que o ser humano começa a adquirir personalidade e, principalmente, quando começa a quebrar estereótipos.

Outra tendência nesse mundo mágico que é a expectativa de ter um filho é o de ‘homenagear’ alguém que nem os pais conhecem. É o caso da tendência no Brasil verificada com o aumento do registro de crianças com o nome de celebridades. A bola da vez é o nome do jogador #Neymar (Júnior), que por sua vez, recebeu esse nome em homenagem ao seu pai, o também #Neymar (Pai). É difícil pensar como um pai deixa de se homenagear para realizar o mesmo para o seu ídolo. Mas, não é difícil imaginar que essa homenagem na verdade esteja carregada de expectativa e talvez até de esperança que o seu filho traga no nome o mesmo talento do seu ídolo. É querer que o filho seja o que você não é ou não foi.

Alguns pais são mais sutis e optam por apenas colocar nomes simples e, de preferência, com as letras finais do alfabeto para que os filhos não passem pelas mesmas coisas que eles na infância. Sempre existe um Arnaldo, Arthur, Antoniel zangados por receberem piadas com seus nomes ou que a professora percebeu que eles não fizeram a tarefa de casa, enquanto o Vitor, o Zairon e a Zuleide se safaram, pois enquanto ela chamava o nome dos outros colegas, esses tiveram tempo de fazer o dever na sala de aula.

Há também os pais que não preferem determinados nomes por carregarem a fama de “nome de menino danado” ou ainda “nome de gente preguiçosa”. Esses e outros mitos e crenças sobre a escolha do nome e outras opções que os pais são destinados a fazer a partir, muitas vezes, de suas expectativas ou de sua família, faz parte de um todo social que insiste em determinar a vida de uma pessoa antes mesmo do nascimento e rotulá-la o máximo possível. Talvez fosse mais simples enxergar uma criança como um ser e nomeá-la de acordo com o seu rosto, ou ainda, deixá-la escolher o seu próprio nome. Revolucionário demais?

Por: Lícia Loltran


Confira a lista dos #100nomes mais registrados no Brasil no ano de 2012.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

I don't like #Facebook



No primeiro trimestre de 2013, o Brasil alcançou o número de 102,3 milhões de pessoas que acessam a internet no país. O crescimento foi de 9% se comparado com o ano anterior. Segundo o portal G1 de notícias, o Brasil já possui cerca de 76 milhões de usuários cadastrados no Facebook, ficando atrás somente dos Estados Unidos e da Índia. Dessa forma, o país já possui aproximadamente 74% dos seus internautas com uma conta no #Facebook.

No entanto, apesar desse número ter estimativa e perspectiva de só aumentar, existem pessoas que afirmam não possuir conta na rede social, e, muitas vezes, em nenhuma outra também. Muitos são os motivos que levam um internauta, que está conectado diariamente, a optar em não possuir um perfil social na rede. A psicóloga, Natália Gomes (25), lembra que já esteve em algumas redes sociais como, Orkut, MSN, e Skoopy, mas que hoje só se comunica e se informa na internet através de e-mail, blogs, portais de notícias e Skype. “Quando eu quero me informar, acesso um blog ou portal e leio as notícias, troco informações e mensagens por e-mail ou, se for necessária à comunicação com alguém que está distante, eu utilizo o Skype, mas sem tanta frequência”.


A psicóloga também coloca que existe uma gama muito grande de falas desnecessárias possibilitadas por essas redes sociais. “Eu não gosto da ideia de estar sempre disponível, de postar tudo o que está acontecendo. Quando eu tenho tempo de compartilhar aspectos da minha vida, prefiro fazer isso pessoalmente”. Mesmo não possuindo uma conta no Facebook, Natália afirma que às vezes sente falta e até curiosidade, mas que pode viver muito bem sem ele – o Facebook.

A estudante universitária Ana Carolina Campos (19), também não via o porquê dessa ‘febre’ no Brasil em ter um perfil no Facebook. Ana Carolina não tinha a necessidade de possuir um perfil na rede social até que entrou para a faculdade. “Eu nunca gostei de nenhum tipo de rede social, não via necessidade nenhuma. Mas, quando entrei na faculdade, logo criaram um grupo da turma e eu ‘tive’ que criar um perfil, porque eu estava ficando sem receber o material trabalhado em sala de aula e também ficando desatualizada do que acontecia no ambiente acadêmico”. A estudante afirma que vê outras facilidades trazidas por ter uma conta no Facebook, mas que ainda não consegue entender porque algumas pessoas não passam um dia sem acessá-lo. “Eu mantenho contato com alguns amigos que estão longe, mas não vejo essa utilidade enorme que eu não consiga viver sem o Facebook”.



Mesmo sendo uma parcela cada vez menor dos internautas, os contra-facebook ainda existem e reafirmam não existir a necessidade de ter uma conta nessa página da web. As mudanças nas relações humanas talvez sejam a explicação para o grande número de pessoas que estão presentes diariamente nas redes sociais. Não só o Facebook, mas o twitter, MySpace, Orkut e o Instagram são marcas de uma época, cada um com uma frequência diferente, mas que, a seu tempo, levaram diversos internautas a se cadastrarem e dedicarem minutos ou horas do seus dias para visualizá-los. O criador do Facebook, Mark Zuckerberg, profetizou que as pessoas não entrariam mais na internet para entrar no Facebook, mas sim, entrariam no Facebook para entrar na internet. Essa realidade já teria acontecido? Estaria próxima de acontecer? Ou, o Facebook não estaria propenso ao desuso assim como outras redes sociais? Será uma vitória do like ou do don’t like? Só o tempo dirá.

Por: Lícia Loltran

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Geração Z

Na virada do século, muito se questionou a respeito do fim do mundo; pessoas amedrontadas, a chegada de um novo período, o fim do mundo como conhecíamos. Na prática, nada de grande impacto aconteceu. Contudo, viu-se, com o passar dos anos e o avanço da tecnologia, a ascensão de uma nova geração de crianças, adolescentes e jovens que, desde sua infância, encontram-se em contato com os novos meios tecnológicos: é a chamada Geração Z.

Uma pesquisa realizada pela Escola do Futuro da USP e a Fundação Telefônica Vivo em 2012, com 18 mil entrevistados entre 6 e 18 anos de diferentes regiões do país mostrou que o contato desta nova geração cresceu proporcionalmente ao avanço tecnológico. 35 % dos que responderam a pesquisa afirmaram sofrer de ansiedade quando não podem usar a internet e um número de 74,6 % contaram ter problemas com os pais graças ao tempo que passam na internet.

Na região do Vale do São Francisco, é possível encontrar cada vez mais representantes desta geração. Sabrina Ferreira, 17 anos, estudante de Ensino Médio do Colégio Auxiliadora, admite que seu contato com a tecnologia vem desde a infância.

“Aos 3 anos, com o primeiro computador na minha casa, já tinha uma curiosidade imensa pela máquina. Hoje em dia viver sem a tecnologia para mim, é como viver sem alguma parte do corpo. Pois ela facilita a minha comunicação de forma eficaz e instantânea.”, diz Sabrina.

Sabrina aos 3 anos


Há alguns pais que ainda oferecem resistência a essas “mudanças”. Laura Borges, professora, 37 anos, se mostra resistente a sua filha Paola Borges, 10 anos. “Ela vive me pedindo um celular, um iPad...  Mas ainda a acho muito nova. Sou professora e vejo que muitos alunos se dispersam por causa das tecnologias.”

Já Márcia Cavalcante, 42, também professora, é a favor dessa geração conectada.  “Vejo o acesso da nova geração, como um mundo de oportunidades. Sou professora e mãe, e vejo que a tecnologia abre caminhos para novos conhecimentos. Porém, as vezes o seu uso inadequado prejudica muito. Por isso, eduquei minhas filhas para que usassem a tecnologia voltada para o bem, e dessa forma elas têm o controle necessário.”

Uma das filhas de Márcia, Manuela Cavalcante, 13 anos, afirma não viver sem tecnologia. “Comecei a ter contato com a tecnologia desde dos meus 8 anos de idade. Minha irmã que me ensinou como mexer e até hoje não vivo sem a internet, em casa ou pelo iPhone. Ela me ajuda em pesquisas, sites de redes sociais e etc.”

Manuela usando iPhone para uma pesquisa escolar

O mundo não acabou com o novo século. Mas, definitivamente, mudou. E os seus habitantes mudaram com ele. 

Por: Alexandre Borges